segunda-feira, 5 de julho de 2010

Notas Comunitárias (n°8 junho)

Por: Fabio da Silva Barbosa

- O Acampamento Revolucionário Indígena continua na luta em Brasília. Mesmo com todo o esforço em retirá-los dali, as lideranças envolvidas na luta estão dispostas a só saírem quando alcançarem seu objetivo. Maiores informações no blog que o grupo tem na internet (www.acampamentorevolucionarioindigena .blogs pot.com).

- Mais uma liderança indígena da Serra do Padeiro é presa. Desta vez foi Glicéria Tupinambá e seu filho de apenas dois meses. Ela estava vindo de Brasília, onde em um encontro com o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, havia exposto o grave problema que seu povo vem passando.

- O quadro encontrado pelo presidente da Comissão de Assuntos Municipais e Desenvolvimento Regional da Assembléia Legislativa do Rio (Alerj), durante vistoria, nesta terça-feira (15/06), nos alojamentos do 3º Batalhão de Infantaria (3º BI), na Venda da Cruz, Niterói, onde cerca de 130 famílias vítimas das chuvas de abril estão abrigadas, não foi nada animador. Segundo o Informativo enviado pela Alerj, pessoas estão dormindo no chão, sem receber o aluguel social e sem receber alimentação adequada. A comissão pede ajuda ao estado para garantir uma assistência digna aos desabrigados.

- No domingo, dia 13/06, a final do Campeonato de Futebol do Zulu, na Alarico de Souza, em Santa Rosa, Niterói, demonstrou mais uma vez que é possível unir várias comunidades em torno de um mesmo objetivo. A bola rolou sol-ta no campo. Nota 10 para todos.

- Mais um fanzine está rodando em Niterói. Agora é a vez do PENÇÁ. Muita informação distribuída de forma diferenciada e criativa. Sem seguir regras ou academicismos chatos. Para quem tem um paladar pelo novo, é um prato cheio.

- Dois blogs altamente recomendáveis para quem quiser se inteirar no que está rolando pelas comunidades é o de Deley de Acari (www. deleydeacari.blogspot.com) e o Vozes das Comunidades (www.vozesdascomunidades. blogspot.com).

domingo, 4 de julho de 2010

Solidariedade à Ocupação Flor do Asfalto

Por: Winter Bastos
Retirado do blog http://expressaoliberta.blogspot.com/

Flor do Asfalto é uma ocupação urbana no centro da cidade do Rio de Janeiro. Trata-se de um espaço de 2500 metros quadrados, que está dividido em duas partes, uma na qual moram mais de 20 famílias e outra onde se encontra um espaço autogerido que existe há quase 4 anos. Além de funcionar como moradia, se desenvolve como espaço cultural. Muitos eventos, oficinas, trocas de idéias aconteceram e continuam acontecendo. Existem: biblioteca, oficina de serigrafia, herbário, atelier , oficina de bicicletas, uma pequena agrofloresta com uma média de 70 espécies (algumas em extinção), cooperativa de alimentos, cozinha comunitária e mais.
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No dia 27 de junho, houve uma assembléia na Ocupação Flor do Asfalto para conversar sobre uma ordem de despejo recebida e sobre possíveis ações em conjunto, não só contra essa, mas contra todas as tentativas de desalojamento de ocupações na capital fluminense. Falou-se também sobre outras consequência do Projeto de Revitalização do Centro do Rio. Foi decidido organizar uma jornada de atividades contra os desalojamentos.
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Os próximos eventos serão:
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09/07 (sexta-feira) - 18h30min - Bicicletada Extraordinária contra os desalojamentos. Concentração na Cinelândia, em frente ao Cine Odeon. Levar faixas e cartazes, quem puder.
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10/06 (sábado) - 12h - Mostra de Filmes Independentes na CASA (Rua Aureliano Portugal, 372 - Rio Comprido). Um dos filmes exibidos será o curta sobre o incêndio do camelódromo.
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Apareçam! É importante que nos apoiemos mutuamente. Só assim garantiremos a verdadeira justiça social, contra os desmandos do Judiciário burguês e do Estado.
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sexta-feira, 2 de julho de 2010

DEBATE INTERGALÁTICO "RÁDIO: POTÊNCIAS, FREQUÊNCIAS E MODULAÇÕES"

Dia 5/7, às 10h30, no Pontão da Eco do Rio de Janeiro e com transmissão pela internet, ocorre o debate radiofônico "Rádio: Potências, Freqüências e Modulações". O evento é parte dos preparativos para o "Festival Intergalático: comunica-ações e re-existências", que ocorrerá entre os dias 9 e 17/10 e está sendo organizado colaborativamente. O evento pretende facilitar a união em redes de rádios livres,
comunitárias, mídias populares, coletivos autônomos e movimentos populares. Ajude a produzir este evento no Rio de Janeiro ou em sua cidade, assim vamos nos unindo em redes! Como podemos criar e lutar juntos?

Matéria completa:
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2010/06/473967.shtml
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COMISSÃO DO PAC DISCUTE ATRASO DE OBRAS DO PROGRAMA EM NITERÓI


A Comissão Especial de Acompanhamento das Obras do PAC da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) vai discutir nesta quinta-feira (01/07), às 20h, em conjunto com a Comissão de Acompanhamento do PAC da Câmara Municipal de Niterói, a situação das obras do programa nas comunidades da Vila Ipiranga, Capim Melado e Morro da Cocada. No Morro da Cocada, as obras, segundo levantamentos da Caixa Econômica Federal, não chegam a 70% do cronograma
inicial. E no Capim Melado sequer começaram.

TV Comunitária de Niterói realiza seminário e renova chamado à participação da sociedade

Com o tema ‘A Televisão Hoje e a Disputa de Hegemonia’, o canal comunitário de Niterói realiza o seu quarto seminário para debater os desafios e os próximos passos a seguir. A atividade acontece na segunda, 5 de julho, a partir das 17h, na sala 405 da Escola de Serviço Social da UFF. Os coordenadores da emissora, que reúne entidades populares, sindicais, estudantis e organizações não governamentais da cidade, destacam que esse é um espaço aberto a ampla participação de todos que queiram construir uma comunicação autônoma e comunitária.

A Escola de Serviço Social da UFF fica no bloco E do campus do Gragoatá, em São Domingos, Niterói.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

A história de Pepe

Por: Fabio da Silva Barbosa
Fotos: Fabio da Silva Barbosa

Júlio Alejandro, 50, conhecido como Pepe, nasceu em Lima, no Peru, mas foi em Cusco, trabalhando como guia turístico, onde conheceu a arte que mudou sua vida. “Morava na pensão de um povoado chamado Águas Calientes, em baixo de Machu Picchu. Descobri um caminho para as ruínas. Comecei a marcar 5:00h da manhã, para fazer o caminho Inca. Na cidade, sempre vi pessoas vendendo coisas e percebi que era possível conhecer outros lugares através do artesanato. Isso era no início dos anos 80. Antes de guia, trabalhei como cozinheiro sem nunca ter sido. Estava no restaurante na hora que precisaram de alguém para trabalhar. Me ofereci para o cargo, mas não gostei. Era muita exploração.”
Pepe começou a fazer pulseiras de linha, o que aprendeu com um uruguaio que viajava com a filha. “Dava para sobreviver”. Durante esse tempo transitou entre Cusco e Lima e conheceu a brasileira que seria sua esposa. Ficaram no Peru, depois resolveram vir para o Brasil. “Ela aprendeu a fazer as pulseirinhas e juntamos dinheiro para o passaporte, que era caro. Tirado o passaporte em Lima, fomos a Cusco e de lá para a Bolívia. Ficamos em La paz, Cochabamba, Santa Cruz da Serra... Sempre trabalhando com as pulseirinhas”. Dormiam durante as viagens de caminhão e ônibus, e “quando sobrava um trocadinho”, alugavam um quarto, aproveitando para tomar banho e lavar roupas. “Pegamos o Trem da Morte”. Foram 20 horas de Santa Cruz até Porto Quijarro, com apenas uma parada. Dormiam no chão. “Não tinha banco suficiente para sentar, imagina deitar. Isso em 85”

Atravessaram a fronteira com o Brasil e pegaram o trem Corumbá-Baurú. “A primeira coisa que aprendi em português foi ‘Tem que descer’. Esperamos o trem sair e subimos. Na viagem o cara veio recolhendo a passagem. Eu fingi que procurava. Falei que fui roubado e ele disse: ‘Tem de descer’. Aí jogaram a gente e nossas coisas do trem. Passamos a noite em Maringá. Trocamos a estadia do hotel por um par de brincos de prata que trazía para a cunhada. Minha esposa ligou para o pai que, emocionado pela possibilidade de rever a filha de quem não tinha notícias há mais de 4 anos, mandou um trocado. Ele ficou muito feliz, porque achava que ela estava morta. Aí viajamos de primeira classe, almoçamos.. Foi maravilha”.


Chegando em São Paulo, foram até a casa da irmã dela e ligaram para o pai, com quem moraram. “Com um mês ela engravidou e as pulseirinhas já não vendiam tão bem. Trabalhei em uma companhia de mudanças e fui garçom de discoteca. Nasceu a criança.” Nisso Pepe conheceu um Peruano na Praça da República que vendia bijuteria e trabalhou com ele. Veio para o Rio e foi para um Sítio em Saquarema. “Chegamos lá e vimos que ele não era dono do sítio. O dono era um alemão. Fiquei dois ou três dias e aluguei uma casa nas proximidades.
Em Saquarema se separou da esposa e da filha que já tinha 2 anos. “Aí comecei a viajar pelo Brasil. Viajava também para o Peru. Até os oito anos minha filha recebeu minhas visitas. Depois morei sete anos na Colômbia. Nessa época já tinha aprendido a trabalhar com arame e lá aprendi a mexer com pedras. Em 2001 voltei a Lima, e conheci uma professora com quem sou casado. Em 2005 voltei ao Brasil para procurar minha filha. Conseguimos nos reencontrar e hoje já tenho uma netinha.” Ao ser perguntado se largaria a vida de artesão ele afirma que não, porque, além de gostar muito do que faz, teria em troca empregos que pagam mal, além de um sistema de horário que desaprova. Outra atividade por qual tem muito apreço é cantar: “Gosto de cantar. Só de onda”